Precificação no Varejo: Como Calcular a Margem Correta

Precificação no Varejo: Como Calcular a Margem Correta

Precificação no Varejo: o guia para calcular a margem de lucro correta e parar de perder dinheiro  

Existe um tipo de empresa que dá mais trabalho de entender do que a que está vendendo pouco: a que vende bem e mesmo assim não sobra dinheiro no fim do mês.

O movimento está bom. O estoque gira. O faturamento cresce ano após ano. Mas o saldo em conta não acompanha, o limite da conta garantida vira item fixo do orçamento e o empresário fica com aquela sensação difícil de nomear, de estar trabalhando muito para alguém que não é ele.

Na maioria das vezes, não é falta de esforço. É preço.

Mais especificamente: é um preço formado por um cálculo que parecia certo, mas que deixou de fora metade das coisas que consomem o dinheiro entre a compra da mercadoria e o fechamento do caixa. Este guia mostra como fazer esse cálculo direito, com as fórmulas, um exemplo numérico completo e um checklist que você pode aplicar ainda esta semana.

O erro mais comum do varejo brasileiro: confundir markup com margem  

Comece por aqui, porque esse único equívoco já explica boa parte das margens que não fecham.

Markup é o percentual que você aplica sobre o custo para chegar ao preço de venda. Margem é o percentual que sobra sobre o preço de venda. São bases de cálculo diferentes e o número nunca é o mesmo.

Quando o lojista compra um produto por R$ 100, aplica 30% e vende por R$ 130, ele costuma dizer que está “trabalhando com 30% de margem”. Não está. Os R$ 30 que sobraram representam 23,1% do preço de venda (30 ÷ 130). A diferença de 6,9 pontos percentuais parece pequena no papel. Em uma loja que fatura seis dígitos por mês, ela é a diferença entre lucro e prejuízo.

A tabela abaixo mostra a conversão, vale imprimir e deixar no balcão da compra:

Markup aplicado sobre o custoMargem bruta real sobre a venda
20%16,7%
30%23,1%
40%28,6%
50%33,3%
80%44,4%
100%50,0%

E o caminho inverso, que é o que realmente importa na hora de precificar:

Margem bruta desejadaMarkup necessário sobre o custo
20%25,0%
25%33,3%
30%42,9%
35%53,8%
40%66,7%

Repare: para ter 40% de margem, não basta aplicar 40% sobre o custo. É preciso aplicar 66,7%. Quem aplica 40% achando que terá 40% está abrindo mão de quase um terço do resultado esperado em cada venda.

O custo do produto não é o valor da nota fiscal  

Segundo erro, mais caro que o primeiro: tratar o valor que veio na nota do fornecedor como se fosse o custo da mercadoria.

O custo real de aquisição é o valor da nota menos os tributos que a sua empresa recupera como crédito e mais tudo o que foi preciso gastar para aquela mercadoria chegar à prateleira em condições de ser vendida.

Entram no cálculo:

  • Créditos de impostos (quando aplicáveis ao seu regime): no Espírito Santo, a alíquota interna geral do ICMS é de 17%, conforme o RICMS/ES. Para empresas no Lucro Real ou Presumido, esse valor normalmente é crédito e não é custo. Para quem está no Simples Nacional, em regra não há esse aproveitamento e o custo é cheio.
  • Substituição tributária (ICMS-ST) e IPI, quando não recuperáveis: aí sim viram custo e precisam entrar no preço.
  • Frete, seguro e descarga rateados por item, não por nota.
  • Perdas, quebras e avarias típicas da categoria. Em material de construção, vidro, telha, cimento e argamassa têm índices de perda muito diferentes de ferragens e elétrica. Usar um percentual único para a loja inteira distorce o preço dos dois lados.
  • Custo médio ponderado, e não o preço da última compra. Se você comprou 100 unidades a R$ 80 e depois 50 a R$ 95, o custo de reposição do seu estoque não é R$ 80 nem R$ 95.

É neste ponto que a planilha começa a falhar. Até dá para calcular isso à mão para vinte itens. Para dois mil SKUs, com três fornecedores, reajustes mensais e regimes fiscais diferentes por produto, não dá e o que normalmente acontece é a loja congelar a tabela de preços por meses, enquanto o custo sobe por baixo.

As despesas que saem de cada venda (e quase nunca entram na conta)  

Entre o preço na etiqueta e o dinheiro que fica na empresa, há uma fila de descontos:

  • Tributos sobre a venda: DAS do Simples Nacional, ou ICMS, PIS e Cofins no regime normal e, a partir de 2026, também os novos tributos da Reforma Tributária, que detalhamos adiante.
  • Taxas de meios de pagamento: débito, crédito à vista, crédito parcelado e antecipação de recebíveis têm custos distintos. Vender parcelado em seis vezes com antecipação pode consumir uma fatia relevante da margem daquela venda específica.
  • Comissão de vendedores e eventuais premiações por meta.
  • Frete de entrega, cada vez mais comum no varejo de materiais e absorvido com frequência sem nenhum repasse.
  • Perdas e devoluções.

Essas são as despesas variáveis: acontecem porque a venda aconteceu e se expressam como percentual do preço de venda.

Separadas delas estão as despesas fixas: aluguel, folha, energia, software, contabilidade, pró-labore, que existem mesmo em um mês sem vender nada. Elas não se atribuem a um produto específico; entram no preço como um percentual de rateio sobre o faturamento. Para encontrá-lo, divida o total de despesas fixas do mês pelo faturamento do mesmo período (use a média dos últimos seis a doze meses para não importar a sazonalidade de um mês atípico).

A fórmula correta: markup divisor  

Com todos os componentes mapeados, a formação de preço deixa de ser um palpite sobre o custo e passa a ser uma conta:

Preço de Venda = Custo de Aquisição ÷ [1 − (DV% + DF% + ML%)]

Onde:

  • DV% = despesas variáveis, em percentual do preço de venda
  • DF% = despesas fixas rateadas, em percentual do faturamento
  • ML% = margem de lucro desejada, em percentual do preço de venda

O termo entre colchetes é o markup divisor. Ele funciona porque despesas variáveis, rateio fixo e lucro incidem todos sobre o preço, que é justamente a incógnita. Aplicar um percentual “por cima do custo” ignora essa circularidade, e é por isso que o resultado sempre vem menor do que o esperado.

Um exemplo completo  

Uma loja de material de construção em Aracruz, optante pelo Simples Nacional, compra uma caixa de porcelanato por R$ 100 na nota, com R$ 4 de frete rateado. Custo de aquisição: R$ 104.

Estrutura de despesas da loja:

Componente%
DAS (Simples Nacional, faixa d’a empresa)9,5%
Taxa média de cartão2,5%
Comissão de vendas2,0%
Perdas e quebras da categoria1,0%
Total de despesas variáveis (DV)15,0%
Despesas fixas rateadas (DF)18,0%
Margem de lucro desejada (ML)8,0%
Soma das deduções41,0%

Aplicando a fórmula:

Preço de Venda = 104,00 ÷ (1 − 0,41) = 104,00 ÷ 0,59 = R$ 176,27

O markup multiplicador equivalente é 1,6949 — ou seja, 69,5% sobre o custo para entregar 8% de lucro.

Conferindo o resultado:

Demonstrativo da vendaValor
ReceitaR$ 176,27
(−) Custo da mercadoriaR$ 104,00
(−) Despesas variáveis (15%)R$ 26,44
(−) Despesas fixas rateadas (18%)R$ 31,73
(=) LucroR$ 14,10 (8,0%)

Agora compare com dois cenários de “feeling”, muito comuns no balcão:

  • Markup de 60% sobre o custo → preço de R$ 166,40 → lucro de R$ 7,49, ou 4,5%. A loja vende, entrega, emite a nota e fica com pouco mais da metade do lucro que imaginava.
  • Markup de 40% sobre o custo → preço de R$ 145,60 → prejuízo de R$ 6,45 por caixa vendida. E quanto mais essa linha girar, pior.

É exatamente assim que uma loja movimentada fecha o ano no vermelho.

Margem de contribuição e ponto de equilíbrio  

Com o preço formado, dois indicadores passam a guiar as decisões do dia a dia.

A margem de contribuição é o que sobra de cada venda para pagar as despesas fixas e formar lucro:

Margem de Contribuição = Preço de Venda − Custo de Aquisição − Despesas Variáveis

No exemplo: R$ 176,27 − R$ 104,00 − R$ 26,44 = R$ 45,83, ou 26,0% do preço.

O ponto de equilíbrio é o faturamento necessário para cobrir toda a estrutura:

Ponto de Equilíbrio = Despesas Fixas ÷ Índice de Margem de Contribuição

Se essa loja tem R$ 45.000 de despesas fixas mensais: R$ 45.000 ÷ 0,26 = R$ 173.077 de faturamento por mês só para empatar. Saber esse número muda a conversa sobre metas, sobre contratação e sobre a decisão de abrir aos domingos.

O desconto que parece pequeno e custa caro  

A margem de contribuição também responde à pergunta mais frequente do balcão: “dou quanto de desconto?”. Como o desconto sai inteiro da margem, o efeito é desproporcional:

Desconto concedidoNova margem de contribuiçãoAumento de volume necessário para manter o mesmo lucro
5%22,9%+20%
10%19,4%+49%
15%15,6%+96%
20%11,2%+189%

Um desconto de 10% exige quase metade a mais de volume para a loja terminar no mesmo lugar. Vale a pena em casos específicos — girar estoque parado, fechar uma obra inteira, recuperar um cliente — mas precisa ser uma decisão consciente, com alçada definida por faixa e vendedor, e não uma concessão automática para fechar a venda.

O que a Reforma Tributária muda na sua formação de preço  

Toda a conta acima tem um componente tributário e ele está em transição.

2026 é o ano de teste. CBS e IBS já estão em vigor com alíquotas de 0,9% e 0,1%, respectivamente. Os valores são compensados com os tributos atuais, de modo que o desembolso total não muda neste ano. O que muda é a obrigação de informar corretamente os novos campos na nota fiscal, incluindo classificação e enquadramento. Erros de cadastro podem impedir a emissão do documento.

A partir de 2027, PIS e Cofins começam a ser extintos e a CBS entra com alíquota cheia. Três consequências diretas para quem forma preço:

  1. O tributo sai do custo. Com a não cumulatividade ampla do IBS e da CBS, a lógica de “imposto embutido em cascata” perde força para quem está no regime regular. Preços calculados com a carga tributária antiga embutida no custo passarão a estar errados para mais ou para menos, dependendo da cadeia de cada produto.
  2. Comprar de fornecedor do Simples Nacional passa a ter um custo diferente. Pela LC 214/2025, o cliente no regime regular só se credita do montante de IBS e CBS efetivamente devido pelo fornecedor dentro do Simples (art. 47, §9º, II) e não da alíquota cheia aplicada sobre a operação. Para quem vende a construtoras, prestadores e outras empresas, isso muda a competitividade do seu preço no B2B e pode pesar na escolha entre permanecer no Simples ou optar pelo regime regular apenas para IBS e CBS (art. 41, §3º).
  3. O split payment chega em 2027. O tributo passa a ser separado no momento da liquidação financeira da venda, o que altera o momento em que o dinheiro entra no seu caixa, e isso precisa ser considerado no cálculo do capital de giro, não só no do preço.

Uma observação necessária: a Linsoft não faz consultoria tributária. Quem define o enquadramento, as alíquotas aplicáveis, o regime e o tratamento fiscal de cada produto é o seu contador, ele é a autoridade sobre a regra. O papel do sistema de gestão é operacionalizar essa definição com precisão: aplicar o que foi parametrizado em cada venda, em cada nota e em cada cálculo de preço, sem depender de alguém lembrar de atualizar uma planilha.

Por que a planilha não sustenta uma política de preços  

Precificar um produto é uma conta. Precificar a loja inteira, mantendo tudo atualizado conforme o custo muda, é um processo, e processo em planilha tem três pontos de ruptura previsíveis:

  • O custo desatualiza em silêncio. O fornecedor reajusta, a nota entra, e a tabela de preços segue a mesma por semanas. A loja continua vendendo com a margem do trimestre passado.
  • Ninguém tem a margem por item. Quando a margem só é visível no consolidado do mês, é impossível saber quais linhas sustentam o resultado e quais o corroem. O relatório mostra que o lucro caiu, mas não mostra onde.
  • O desconto não tem controle. Sem alçada por faixa, o preço praticado se descola do preço calculado, e o DRE revela isso só depois do fechamento.

É aqui que um sistema de gestão integrado deixa de ser conveniência e passa a ser condição. Com o Shop Control 9, a Linsoft trabalha para que essa cadeia funcione dentro de um único ambiente: o controle de estoque mantém o custo das mercadorias atualizado a partir das entradas reais, o módulo fiscal aplica a parametrização definida pelo contador na emissão de NF-e, NFC-e e NFS-e, e os relatórios e indicadores de desempenho dão visibilidade sobre o resultado por produto e por período em vez de um número único no fim do mês.

E, como as regras fiscais seguem mudando até 2033, o sistema é atualizado continuamente para acompanhar essa transição, incluindo as exigências da Reforma Tributária.

Vale um registro honesto: sistema nenhum decide a sua margem. Ele garante que o número que você decidiu seja o número efetivamente praticado e que você descubra um desvio em dias, não no balanço do ano seguinte.

Checklist prático de precificação  

Use como roteiro de revisão. Recomendamos rodar o ciclo completo a cada trimestre, e os itens de custo sempre que houver reajuste relevante de fornecedor.

Antes de calcular

  • [ ] Levantar o custo de aquisição real por item: nota, menos créditos de impostos aplicáveis ao seu regime, mais frete, seguro e ICMS-ST/IPI não recuperáveis
  • [ ] Adotar custo médio ponderado, não o preço da última compra
  • [ ] Definir o índice de perdas por categoria, não um percentual único para a loja
  • [ ] Mapear todas as despesas variáveis em % do preço: tributos sobre venda, taxas de cartão por modalidade, comissão, frete de entrega
  • [ ] Calcular o rateio de despesas fixas com base na média dos últimos 6 a 12 meses
  • [ ] Definir a margem de lucro desejada por família de produtos ela não precisa (nem deve) ser igual para todas

No cálculo

  • [ ] Usar o markup divisor: Preço = Custo ÷ [1 − (DV% + DF% + ML%)]
  • [ ] Conferir se a soma das deduções não passa de 100% (se passar, não existe preço possível com essa estrutura)
  • [ ] Validar o preço resultante contra o mercado local; se estiver fora, a decisão é revisar custo ou estrutura — não espremer a margem
  • [ ] Calcular a margem de contribuição unitária de cada família
  • [ ] Calcular o ponto de equilíbrio mensal da loja

Depois de calcular

  • [ ] Definir alçadas de desconto por faixa, com o impacto em volume conhecido por quem vende
  • [ ] Acompanhar a margem realizada por item, não só o faturamento
  • [ ] Revisar preços sempre que o custo de reposição variar acima do limite que você definir
  • [ ] Levar a estrutura ao contador antes da virada de 2027, para avaliar o efeito da CBS e do IBS sobre os seus preços
  • [ ] Revisar a política de preços de produtos comprados de fornecedores do Simples Nacional, considerando a limitação de crédito

Perguntas frequentes  

Qual é a diferença entre markup e margem de lucro? Markup é o percentual aplicado sobre o custo para chegar ao preço de venda. Margem é o percentual que sobra sobre o preço de venda. Um markup de 30% sobre o custo gera uma margem bruta de 23,1%, não de 30%. Para obter uma margem de 30%, é necessário aplicar um markup de 42,9%.

Como calcular o preço de venda de um produto no varejo? Use o markup divisor: Preço de Venda = Custo de Aquisição ÷ [1 − (despesas variáveis% + despesas fixas rateadas% + margem de lucro desejada%)]. O custo de aquisição deve incluir frete e tributos não recuperáveis, e excluir os créditos de impostos aplicáveis ao regime da empresa.

Qual margem de lucro é ideal para uma loja? Não existe um percentual único. A margem viável depende do giro da categoria, da estrutura de despesas fixas, do regime tributário e da concorrência local. Produtos de alto giro costumam operar com margem menor e volume maior; itens de baixo giro precisam de margem maior para justificar o capital parado no estoque. O caminho é calcular a margem por família de produtos e validá-la contra o ponto de equilíbrio da loja.

O que é margem de contribuição? É o que sobra de cada venda depois de descontar o custo da mercadoria e as despesas variáveis, antes das despesas fixas. Serve para medir quanto cada produto contribui para pagar a estrutura e gerar lucro, e é a base do cálculo do ponto de equilíbrio.

A Reforma Tributária muda a forma de precificar? Sim. Com a não cumulatividade ampla do IBS e da CBS a partir de 2027, a lógica de tributo embutido no custo se altera para empresas do regime regular, e o crédito em compras de fornecedores do Simples Nacional fica limitado ao montante devido dentro daquele regime. Preços formados com a carga tributária antiga tendem a ficar incorretos. A definição das regras aplicáveis à sua empresa cabe ao seu contador.

Dar desconto compensa? Depende do volume adicional que ele gera. Em uma operação com 26% de margem de contribuição, um desconto de 10% exige cerca de 49% a mais de volume para manter o mesmo lucro. Descontos fazem sentido como decisão estratégica, girar estoque parado, fechar um pedido grande, não como prática automática de balcão.

Precificar bem é uma decisão de gestão, não de intuição  

A conta deste guia não é difícil. O difícil é mantê-la viva com centenas de produtos, custos que mudam toda semana e uma transição tributária em andamento até 2033.

A Linsoft Sistemas tem atuação em todo o Brasil. O nosso trabalho começa pelo diagnóstico da sua operação entender como os seus custos entram hoje, como os preços são formados e onde a margem está escapando antes de configurar qualquer coisa. Depois vêm a implantação acompanhada, o treinamento da equipe que vai usar o sistema e o suporte de pessoas que conhecem o seu caso. Nenhum cliente fica sozinho no processo.

Se você não sabe dizer com segurança qual é a margem real de cada família de produtos da sua loja, vale uma conversa.

Fale com um especialista da Linsoft

📞 (27) 2103-2600 · 🌐 www.linsoft.io · ✉️ contato@linsoft.io


Fale Com especialista

Gostou deste conteúdo? Compartilhe nas suas redes sociais:

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram

Confira algumas dicas de gestão:

Cadastre-se e receba grátis conteúdos exclusivos!

Rolar para cima